quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cubatão luta para ser Estância Turística

Por Eduardo Brandâo

Uma antiga reivindicação de Cubatão poderá sair do papel ainda este ano. Tramita na Assembleia Legislativa do Estado um projeto de lei que pretende elevar o municio encravado na Serra do Mar, no litoral paulista, em Estância Turística. Para esta iniciativa, as reservas naturais cubatenses precisarão contar com o apoio dos sete deputados estaduais para ter título concedido.
Esta é a segunda vez que Cubatão pleiteia inclusão no seleto grupo paulista de 67 municípios que recebem verbas estaduais de fomento ao Turismo. Na primeira ocasião, em 2007, questões ambientais e falta de apoio regional impediram a concretização da campanha. Além da cidade, que é conhecida pelo Caminho do Mar e pela Calçada do Lorena, também está na disputa o município de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. Há mais de 15 anos que o Legislativo paulista não concede o título de Estância.
De acordo com o autor do projeto em tramitação, o deputado Luciano Batista (PSB), Cubatão apresenta todas as recomendações necessárias da Secretaria Estadual de Turismo para receber verbas do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade). Conforme ele destaca, desta vez não falta apoio político e econômico. “É como se uma família tivesse nove filhos. Todos passam no vestibular para uma faculdade pública. Todos vão, menos um dos filhos. É isso que acontece com Cubatão”, compara. Das nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, apenas o município onde nasceu o escritor Afonso Schmidt não é uma Estância Turística.
Razões históricas, econômicas e de integração regional são as justificativas da prefeita Marcia Rosa de Mendonça Silva (PT) na defesa do projeto. “Se um dos fatores para a definição de uma estância turística é a qualidade da água, as cidades da Baixada Santista detêm o título usando a água pura nascida em Cubatão”. De acordo com a Sabesp, 80% da água consumida em Santos, São Vicente e parte de Praia Grande têm origem no Rio Cubatão.

Pedaço do Brasil
Marcia Rosa ainda cita uma “eterna dívida” da Nação com a cidade que foi rota de Dom Pedro I, dias antes do grito da Independência. “Cubatão guarda um pedacinho de cada lugar do Brasil, por meio dos migrantes que vieram para cá atraídos por ofertas de emprego na construção de estradas, ferrovias e indústrias estabelecidas no território cubatense”.
Sem contar com praias, como as demais estâncias da Baixada, a aposta do Município é o ecoturismo. A cidade é a única no Estado dotada de uma cachoeira de 50 metros de queda d’água. Em abril, técnicos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) incluíram as trilhas dos parques Itutinga-Pilões e Cotia Pará no Catálogo do Circuito Turístico da Costa da Mata Atlântica.
Quando foi vereador, o atual vice-prefeito Arlindo Fagundes iniciou as primeiras movimentações políticas para elevar a Cidade à condição de Estância. Na ocasião, segundo aponta, falta de interesse regional impediu o êxito da empreitada. “O Município dispõe de manguezais, trilhas no coração da Serra do Mar, cachoeiras no Rio Perequê e parques ecológicos, além dos monumentos históricos do Caminho do Mar. Esses requisitos fazem com que a Prefeitura reafirme o compromisso de uma política voltada ao ecoturismo”, afirma.
Para ter o título concedido, Cubatão precisará comprovar a existência de características turísticas e atender determinados requisitos, como oferecer condições de lazer, recreação, recursos naturais e culturais específicos. Além disso, o Município precisa dispor de infraestrutura e serviços dimensionados à atividade turística.

Turismo industrial
Como forma de gerar divisas e atrair turistas, a Secretaria de Cultura e Turismo estuda a implantação de um roteiro para oferecer a visitante conhecer as fases de produção de diversas empresas cubatense. De acordo com a titular da pasta, Marilda Canelas, o turismo industrial será uma das três vertentes que o Município irá explorar. “A nossa história nos coloca a um ponto de oferecermos o turismo cultural. Cubatão também é propício ao ecoturismo. Mas verificar o processo produtivo, além de ser algo que aguça a curiosidade de muitos, também é enriquecedor”, define.

Colaboraram José Mario e Taís Auler

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